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Reading: Nova injeção contra o HIV reduz risco de infecção em 99,9% e começa a ser usada em três países africanos
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Em Destaque

Nova injeção contra o HIV reduz risco de infecção em 99,9% e começa a ser usada em três países africanos

edgardosamajii
Last updated: December 2, 2025 3:29 pm
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edgardosamajii
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5 Min Read
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📍 África do Sul | Saúde Pública

Uma nova injeção preventiva contra o HIV, capaz de reduzir em mais de 99,9% o risco de infecção, começou a ser utilizada nos sistemas públicos de saúde da África do Sul, Essuatíni (antiga Suazilândia) e Zâmbia. O medicamento, denominado Apretude, representa um avanço histórico no combate à epidemia do vírus em África, continente que ainda concentra mais de dois terços das novas infecções globais.

Contents
    • 📍 África do Sul | Saúde Pública
  • O que é o Apretude?
  • Por que África do Sul, Essuatíni e Zâmbia?
  • O impacto social e logístico
  • África e o combate ao HIV: um passo estratégico
  • 💬 O que dizem os especialistas?
  • Próximos passos
  • Conclusão

O que é o Apretude?

O Apretude (cabotegravir injetável de longa duração) é uma profilaxia pré-exposição (PrEP) desenvolvida pela farmacêutica ViiV Healthcare, empresa britânica especializada em HIV, com participação da GSK, Pfizer e Shionogi.
Diferente das pílulas diárias de PrEP oral, o Apretude é administrado por via intramuscular a cada dois meses, garantindo adesão mais simples e eficaz.

Nos ensaios clínicos conduzidos pelo HPTN (HIV Prevention Trials Network), a nova formulação demonstrou uma redução de 99,9% nas chances de contágio, inclusive entre grupos de alto risco, como mulheres jovens e profissionais do sexo.

Por que África do Sul, Essuatíni e Zâmbia?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNAIDS, esses três países estão entre os mais afetados pelo HIV na África Austral, região com as maiores taxas de prevalência do mundo.

  • África do Sul: mais de 7,8 milhões de pessoas vivem com HIV.
  • Essuatíni: cerca de 27% da população adulta é seropositiva.
  • Zâmbia: mais de 1,2 milhão de pessoas convivem com o vírus.

As autoridades de saúde locais estimam que a implementação do Apretude poderá prevenir centenas de milhares de novas infecções nos próximos anos, especialmente entre mulheres jovens, que continuam a ser o grupo mais vulnerável.

O impacto social e logístico

A introdução da injeção nos programas nacionais de prevenção representa uma viragem no paradigma da saúde pública africana.
Com aplicação bimestral, o Apretude elimina o estigma e a dificuldade de adesão associados às pílulas diárias. Além disso, reduz o risco de esquecimento, um dos maiores desafios para a eficácia da PrEP oral.

Contudo, há desafios a vencer:

  • Custo elevado: o tratamento injetável é mais caro do que a versão oral.
  • Capacitação de profissionais: é necessário treinar equipas médicas e de enfermagem.
  • Distribuição sustentável: garantir que as doses cheguem a zonas rurais e periferias urbanas.

África e o combate ao HIV: um passo estratégico

Especialistas afirmam que o uso do Apretude poderá alterar o curso da epidemia em África se acompanhado por políticas públicas fortes e campanhas de educação sexual.
A OMS destaca que a nova PrEP injetável é particularmente importante para mulheres e jovens entre 15 e 24 anos, que representam mais de 60% das novas infecções na África Subsaariana.

Segundo Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS, “esta inovação não é apenas uma ferramenta médica, mas um instrumento de justiça social e equidade no acesso à saúde”.

💬 O que dizem os especialistas?

“O Apretude oferece uma nova esperança. É uma tecnologia que simplifica o tratamento e pode mudar completamente o cenário da prevenção em África”,
— Dr. Themba Dlamini, especialista em saúde pública da Universidade de Pretória.

“Agora, a questão principal é garantir que o medicamento não fique restrito às elites urbanas. Deve chegar a todas as pessoas em risco, em todos os cantos do continente.”
— Dra. Lúcia Zimba, médica moçambicana e consultora da OMS.

Próximos passos

A OMS e o UNAIDS trabalham com os ministérios da saúde da região para ampliar o acesso ao Apretude em mais 12 países africanos até 2026, incluindo Angola, Moçambique e Tanzânia, dentro da iniciativa “África Sem HIV 2030”.

Estudos também avaliam o uso combinado da injeção com terapias antivirais orais para populações específicas, como pessoas com múltiplos parceiros ou histórico de não adesão à PrEP tradicional.

Conclusão

O lançamento do Apretude marca um ponto de viragem no combate ao HIV em África.
A redução de 99,9% no risco de infecção e a aplicação simplificada tornam esta inovação um símbolo de esperança científica, mas também um teste à capacidade dos governos africanos de assegurar equidade no acesso à saúde.

O Políbos News continuará a acompanhar esta revolução biomédica, com o olhar crítico e a precisão que caracterizam o jornalismo de investigação feito em Angola para o mundo.

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