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Reading: “Liderança feminina em Angola avança, mas enfrenta resistências estruturais”, afirma Ana Dias Lourenço
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“Liderança feminina em Angola avança, mas enfrenta resistências estruturais”, afirma Ana Dias Lourenço

Last updated: December 14, 2025 8:46 am
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Políbos News
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4 Min Read
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A liderança feminina em Angola tem registado avanços significativos nos últimos anos, mas continua a enfrentar resistências estruturais profundas, que limitam a concretização da igualdade de género em diferentes esferas da sociedade. A constatação foi feita esta sexta-feira, 12, em Luanda, pela primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, durante a 3.ª edição do Congresso Internacional de Liderança Assertiva (CILA).

Contents
  • Resistências culturais e institucionais
  • Família e educação como pilares da mudança
  • Desafios no mercado de trabalho
  • O papel histórico da mulher angolana

Na sua intervenção, Ana Dias Lourenço sublinhou que, apesar do reconhecimento crescente do papel e da voz da mulher na sociedade angolana — fenómeno que se observa igualmente noutras regiões do continente africano — persistem práticas e mentalidades que continuam a negar às mulheres os mesmos direitos, deveres e oportunidades atribuídos aos homens.

Resistências culturais e institucionais

Segundo a primeira-dama, o debate em torno do poder e da liderança feminina ainda gera desconforto em estruturas de liderança tradicionalmente masculinas, que, de forma explícita ou subtil, procuram travar o empoderamento das mulheres nos planos social, económico, político e institucional.

Essas resistências, explicou, começam no seio da própria família, onde as tarefas domésticas e os cuidados familiares recaem maioritariamente sobre as mulheres, perpetuando uma divisão desigual de responsabilidades. A este cenário soma-se a normalização da violência doméstica, ainda encarada, em determinados contextos, como uma prerrogativa masculina.

Família e educação como pilares da mudança

Para Ana Dias Lourenço, a transformação deste quadro exige reformas profundas na família e no sistema educativo. Defendeu a promoção, desde a infância, de um diálogo permanente sobre igualdade de género, incentivando a partilha equilibrada das tarefas domésticas entre todos os membros da família, independentemente do género ou da idade.

A primeira-dama alertou ainda para a discriminação que se inicia frequentemente no próprio seio familiar, quando se privilegia a escolarização dos rapazes em detrimento das raparigas. Esta desigualdade, observou, tende a reproduzir-se ao longo de todo o percurso educativo.

Embora as raparigas apresentem, em média, melhores taxas de aproveitamento e conclusão escolar, bem como uma presença expressiva no ensino superior, continuam a enfrentar limitações no acesso à progressão académica para além do ensino secundário.

Nesse sentido, defendeu a necessidade de:

  • Demonstrar, com dados e evidências, o melhor desempenho académico das raparigas;
  • Promover o diálogo entre educadores e professores sobre a eliminação da diferenciação de género nas aprendizagens;
  • Combater discursos e atitudes machistas no sistema educativo e nas redes sociais.

Desafios no mercado de trabalho

No mercado de trabalho, Ana Dias Lourenço destacou que as mulheres continuam expostas a discriminação salarial, menor representação em cargos de liderança e acesso desigual à progressão na carreira. Persistem estereótipos que associam às mulheres menor disponibilidade ou comprometimento profissional, frequentemente justificados pela sua ligação à esfera familiar.

“É fundamental valorizar as empresas que adoptam boas práticas de gestão do capital humano, baseadas no mérito e no desempenho, e não no género”, afirmou, defendendo igualmente a criação de programas de mentoria que promovam referências femininas de sucesso e contribuam para a eliminação da discriminação laboral, incluindo no plano político-institucional.

O papel histórico da mulher angolana

Apesar dos desafios persistentes, a primeira-dama sublinhou que a mulher angolana tem estado, historicamente, “do lado certo da História”. Evocou a resistência ao colonialismo, com destaque para a figura da Rainha Ginga, e a luta pela independência nacional, onde se evidenciam nomes como Deolinda Rodrigues, Engrácia dos Santos e Irene Cohen, entre milhares de heroínas anónimas.

No período pós-independência, acrescentou, a presença feminina nas instituições políticas e governamentais tem crescido de forma contínua. Ainda assim, alertou que a igualdade plena exige compromisso colectivo, reformas estruturais sustentadas e uma mudança cultural profunda e duradoura.

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